Na rua Conde de Vizela, uma luz amarela assinala a entrada: fachada estreita e alta e um interior que se esconde para lá de uma cortina de veludo vermelho, que separa o espaço de entrada, "transparente": entre nós e a cortina, José Luís, que já foi porteiro do Swing e faz parte deste "negócio de família", como diz Carlos Machado (filho). Estamos nas "caves" dos edifícios da rua paralela, a Cândido dos Reis, e o novo Griffon"s foi o armazém de uma das lojas de tecidos que deram a fama à rua. Não havia nada aqui, "nem água", sublinha Carlos Machado (filho).
O espaço divide-se em dois: a parte da frente é mais "bar", a parte traseira é quase só a pista de dança - entre ambas um curto corredor a ladear um saguão que no Verão será aberto mas que por estes dias está coberto com um toldo. No antigo, descrevem-nos, também existia esta separação, mas em dois andares; e havia a mesma atmosfera geral, uma escuridão bem medida que emana das paredes cinza escuras e é temperada por luzes rarefeitas.
Atravessou os "loucos" anos 1980 portuenses como "the place to be". No Centro Comercial Brasília, onde o Porto se estreou nas escadas rolantes, as suas matinés eram lendárias ("as pessoas eram como sardinhas enlatadas", recorda Tó Zé Ferreira Lopes, DJ) e as suas noites ponto de encontro incontornável numa cidade onde as discotecas se contavam pelos dedos de uma mão.
"Vinha gente da Foz e das Antas, de Espanha, de Portugal inteiro", conta Tó Zé, DJ da casa entre 1982 e 1989; era a discoteca onde, "de repente, se ouvia Rolling Stones". Afirmou-se, precisamente, pela estética musical: quem queria conhecer a vanguarda da música ia ao Griffon"s que, por sua vez, ia a Inglaterra em busca das novidades, em viagens épicas, recordam Tó Zé e Carlos Machado, proprietário.